Bombeiros Voluntários de Cacilhas

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Podemos não voltar,
mas vamos...

Mensagem do Presidente

Quando, em 1970, entrei como aspirante nos Voluntários de Cacilhas, não poderia imaginar a evolução que em quarenta anos a Associação e o seu Corpo de Bombeiros passariam a ter. São já poucos os que poderão ter memórias desse tempo, em que iniciei a minha actividade como bombeiro, pois infelizmente muitos dos meus companheiros nesse percurso já não estão entre nós.


Recordo com muita saudade esses tempos difíceis, em que a escassez de meios era compensada pela entrega e abnegação sem limites, característica do verdadeiro espírito do voluntariado. E é esse espírito de voluntariado que gostaria de ver divulgado e ensinado ás gerações futuras, através de acções concertadas, traduzidas e transferidas para local próprio, onde se pudesse apreciar ao vivo a vida e a evolução dos nossos bombeiros. Os Bombeiros de Cacilhas são detentores de um valioso espólio documental e patrimonial, onde se destacam vinte viaturas antigas de diversas épocas e largas dezenas de peças de indiscutível interesse histórico.


No entanto, não posso deixar de lamentar a perda de equipamentos e documentos que tornariam hoje ainda mais importante o acervo da nossa Associação. No âmbito do desenvolvimento cultural do Concelho de Almada, sem nos querermos substituir a outros, orgulhamo-nos de ter promovido uma exposição, durante a comemoração do 90.º Aniversário da Associação, em 1981, que incluía inúmeros desenhos feitos pelas crianças das
escolas, onde também foi apresentada pela primeira vez a maquete do futuro quartel, a par com outros objectos do serviço de incêndios. Esta exposição foi inaugurada pela esposa do General Ramalho Eanes, a ilustre Cacilhense Dra. Manuela Eanes. Foi nessa exposição que nasceu o meu entusiasmo para a História dos Bombeiros, que se transformou numa verdadeira paixão, e o começo da preservação do espólio museológico, que até
então estava disperso e pouco cuidado.


Em 1991, integrado nas grandiosas comemorações do Centenário, foi com especial emoção que participei na inauguração do novo quartel, que na altura nos pareceu grande e que na actualidade já é pequeno, onde destinámos um espaço para albergar o espólio a que pomposamente chamamos Sala do Museu.


A grandeza das comemorações do Centenário ficou patente no primeiro Desfile Histórico de Bombeiros, realizado por nós em Almada, e na edição do livro alusivo aos cem anos da nossa Associação. Apesar do muito espólio documental que se foi perdendo ao longo dos anos, o livro
constituiu um precioso registo de memórias.


A paixão e o orgulho pela História dos Bombeiros levaram a que em 25 de Outubro de 2003 tivéssemos organizado, no Forúm Romeu Correia, em Almada, o III Encontro Nacional sobre a História dos Bombeiros Portugueses, onde também fizemos uma exposição de objectos de colecção do tema bombeiros. Ao atribuir à nossa Associação a responsabilidade de organizar tal evento, a Liga dos Bombeiros Portugueses reconheceu a inquestionável posição e competência da Associação de Cacilhas no seio dos Bombeiros Portugueses. Também pretendendo divulgar outros aspectos da Historia dos Bombeiros a nível do Concelho durante a fase final do Séc. XIX e princípios do Sec. XX, a nosso convite e com o nosso patrocínio, o Dr. Alexandre Flores, insigne historiador de Almada, escreveu o magnífico livro Bombeiros do Concelho de Almada.


Um dia, que espero com expectativa esteja bastante próximo, teremos o nosso muito desejado «Museu de Bombeiros do Concelho de Almada». É aí o lugar do imenso e valioso património histórico que possuímos. Nessa altura, com orgulho, podemos mostrar, «Urbi et Orbi», quem somos e quem foram os nossos antepassados, entre eles Eduardo Alves, Heitor Carloto dos Santos e Jesofredo Serra da Silva, cuja obra de fraternidade foi iniciada há muito e que nos faz por isso, cada vez mais, lutar por esse almejado objectivo, onde ficarão representados para sempre os seus nobres exemplos humanitários. Não pretendo abandonar a actividade de bombeiro sem que o sonho de ver erigido o nosso Museu seja uma realidade. É um tributo justo do Concelho para com os «Soldados da Paz», a quem tenho a honra de pertencer: no passado como bombeiro activo e presentemente na
Direcção…, mas sempre como voluntário.

 
O Presidente da Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Cacilhas
 
Clemente Joaquim Martins Mitra